Olhou para o relógio, Gabriel estava atrasado. A reunião mal havia começado e as coisas não iam nada bem. Indignado, Lúcifer pedia a completa destruição da humanidade. Em menos de 15 minutos, uma enorme quantitade de provas fora apresentada. A diferença entre essa e as outras vezes em que isso havia sido pedido, é que pela primeira vez a maioria dos que estavam presentes concordavam com ele.
Embora estivesse propenso a aceitar o pedido, Deus com a cabeça voltada para cima e de olhos cerrados, cruzava os dedos para que uma luz lhe clareasse as idéias. Nesse exato momento, Gabriel abriu a porta e um pouco ofegante, pediu desculpas pelo atraso. Não havia conseguido nada que justificasse a continuidade da existência dos seres humanos no planeta. Lúcifer, sorrindo, deu um abraço em Gabriel e beijando lhe o rosto disse estar feliz por ele finalmente ter compreendido. Gabriel, também sorrindo, disse ter apenas um pedido a fazer;
- Gostaria que você e papai me acompanhassem nessa última noite.
- Claro, para onde você quiser ir meu irmãozinho. respondeu Lúcifer.
Deus olhou para os dois. Estava certo de que Gabriel tramava algo, mas decidira participar como observador.
Gabriel lhes informou que iriam a um concerto. Todos sabiam que ele havia sido um exímio trompetista na época em que a humanidade ainda não existia, mas fora obrigado a deixar seu instrumento de lado ao assumir a direção executiva do céu. Mesmo muito ocupado, acompanhara sempre a evolução musical na terra. Naquela noite, uma prestigiosa orquestra na cidade de Lucerne - Suiça tocaria seu compositor predileto; Gustav Mahler.
Deus ficou contente com a idéia de assistir em pessoa a um concerto. Logo adquiriu a figura de uma menina de 12 anos com traje próprio para a ocasião. Lúcifer, que não era muito chegado a música, optou também pela figura feminina. Uma mulher de 30 anos, linda como quase nunca vista. Com o habito de enfernizar a todos, levou duas longas horas para se arrumar. Após ver a imagem de Lúcifer e Deus, Gabriel transformou-se em um belo homem vestindo terno. Assim, nossos três personagens sairam céu afora.
Devido ao atraso de Lúcifer, quando chegaram a Lucerne a orquestra acabara de tocar o 5 movimento da 3 sinfonia de Mahler. Um pouco triste com isso, Gabriel ainda fora obrigado a realizar alguns pequenos milagres para conseguir três bons lugares. Mal haviam sentado o 6 e último movimento começou.
Deus, atento a todos os detalhes, olhava para Gabriel e Lúcifer e sorria. Gabriel, com os olhos fechados, absorvia aqueles sons iniciais. Quem o observasse pensaria que ele rezava enquanto ouvia música. Lúcifer permaneceu indiferente, na verdade, aquelas cordas tocando pianíssimo e lento lhe estavam deixando completamente entediado. Os 4 primeiros minutos foram uma eternidade para ele, até que algo estranho aconteceu. Um solo de oboé e outro de trompa o fizeram sentir uma dor estranha. Lúcifer, acomodou-se melhor na cadeira e passou a prestar mais atenção a música.
Ainda sem compreender a dor que sentia, Lúcifer esquecera toda a felicidade que estava sentindo com sua vitória. Não conseguia aceitar, que aqueles humanos, todos pecadores, pudessem causar sensação tão estranha em seu peito, ao mesmo tempo não conseguia parar de ouvir.
Ao final da sinfonia, Lúcifer chorava copiosamente. Buscou Deus com seus olhos, e viu uma menina brincando de reger uma orquestra imaginária. Gabriel, sorrindo, deu lhe um abraço e beijando lhe o rosto disse estar feliz por ele finalmente ter compreendido.
Assim, nossos três personagens sairam terra afora. Gabriel e Lúcifer de braços dados e Deus caminhando como se pulasse amarelinha.
Boa maneira de manter a raça humana, e a terra.Um concerto!
ResponderExcluirGabriel é esperto, pudera, foi trompetista.... sempre com uma carta na manga, e algo para surpreender!
Tu, nem preciso dizer, te superando... minhas investidas pra não parares de escrever foram todas válidas.
Gostei de Lúficer, na forma de uma mulher bélissima... acho que é assim que são vistas mesmo! ehhe
Bejosss grande Gabriel!